<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300</id><updated>2011-12-01T08:05:19.034Z</updated><title type='text'>FALTA DE AR</title><subtitle type='html'>Há monstros dentro de nós. Caminham nas nossas veias como caravanas no deserto. Passo lento. Sem destino. Há monstros dentro de nós. Entrelaçam-nos os intestinos. Esmurram-nos os pulmões. Apertam-nos o esófago. Há monstros dentro de nós que nos maltratam.
Têm falta de ar.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Augusto E. Nunes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11076210584474851122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>9</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300.post-111954379434640726</id><published>2005-06-23T17:22:00.000+01:00</published><updated>2005-06-23T17:23:14.353+01:00</updated><title type='text'>Não há poesia na morte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentei-me na praia e observei o mar. Estava agitado, como eu. Na minha cabeça, um turbilhão de ideias dançava, provocando-me uma agonia de viagem. Era como se, em vez de sentado na praia, estivesse no mais frágil dos barcos, a navegar naquele mar bravio.&lt;br /&gt;Levantei-me. Por momentos o equilíbrio fugiu-me, como se realmente me tentasse erguer num barco frágil. Recompus-me. Caminha pela praia, deserta, durante horas. O dia estava mau; muito mau. Chovia incessantemente. Chuva miúda mas contínua; irritante. O vento fazia-se sentir com fúria. Levantava areia que me batia como chicotes. Nada me transmitia a paz que desejava encontrar numa praia deserta de Inverno.&lt;br /&gt;Ao fim de horas de caminhada parei. A angústia do teu adeus apoderou-se de mim. Chorei e gritei. Culpei aquela praia maldita de todos os males do mundo. Odiei-a. Decidi ir-me embora.&lt;br /&gt;Ao abandonar a praia, olhei uma última vez para trás. No areal, devido ao vento e à chuva, não havia qualquer marca das minhas passadas doentias. Era como se ninguém visitasse aquela praia há dias.&lt;br /&gt;Então percebi. Também no teu coração não havia marcas das minhas passadas. Não me recordavas com saudade. Nem sequer com ódio. Não me recordavas de todo. Não havia retorno. Era o fim. Não o nosso fim, mas sim o meu.&lt;br /&gt;Sentei-me de novo junto ao mar e reflecti sobre a minha vida. Em nenhum sítio eu tinha deixado marcadas as minhas passadas. Nada nem ninguém me recordava. Eu não tinha um passado. A vida passara-me ao lado. O passado são memórias. Quando não vivemos na memória de alguém ou de algo, não temos passado. Então, para quê viver?&lt;br /&gt;O mar acolheu-me dentro de si. Não mais de lá saí. A vida acaba quando acaba o oxigénio. Não há poesia na morte. Sem oxigénio não há vida. Simples e científico. Morri. E sei: nem o mar, nem a praia, nem o vento, nem a chuva; ninguém se lembrará daquele que caminhou sem deixar marcas.&lt;br /&gt;A solidão não é viver sozinho. É não ficar na memória de ninguém. Não deixar qualquer marca, qualquer passada. Solidão é morrer nas pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12654300-111954379434640726?l=faltadear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/111954379434640726/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12654300&amp;postID=111954379434640726&amp;isPopup=true' title='49 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111954379434640726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111954379434640726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/2005/06/no-h-poesia-na-morte.html' title='Não há poesia na morte'/><author><name>Augusto E. Nunes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11076210584474851122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>49</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300.post-111817891694378902</id><published>2005-06-07T22:11:00.000+01:00</published><updated>2005-06-07T22:18:59.016+01:00</updated><title type='text'>Luto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um círculo quase perfeito — apenas interrompido por alguém que discursa num tom monocórdico, segurando um livro com uma mão e erguendo suavemente no ar a outra.&lt;br /&gt;Rodeados por vultos negros, cabisbaixos e sombrios, dois buracos escavados são o centro das atenções. O discurso proferido perde-se antes de chegar a alguém como se as palavras caíssem todas naqueles buracos.&lt;br /&gt;No meio daquele silêncio de uma só voz, uma criança ainda não se encontrou com o mundo. Brinca, sozinha, ainda mais longe de tudo e todos que aquele discurso. Sem nada nem ninguém para brincar, brinca consigo e com a descoberta. Faz um buraco e enfia lá o dedo, uns centímetros abaixo do solo. Fica assim durante uns segundos, sem ouvir e sem pensar. Senta-se sobre os seus calcanhares e inclina-se ligeiramente para a frente e o dedo, agora sujo da terra que o envolveu, toca num insecto perdido que encontrou no meio daquele relvado. “Bicho”, pensa. Agarra nele e atira-o para longe.&lt;br /&gt;Levanta-se e começa a correr, tropeça no atacador e cai lentamente; primeiro os joelhos no chão, depois as mãos. Senta-se, com um mão a apoiar o corpo, e deixa-se estar assim a olhar à sua volta.&lt;br /&gt;O circulo quase perfeito já não existe. As pessoas que o compunham, agora dispersas, abraçam-se e beijam-se. Algumas permanecem imóveis, ainda a olhar para os dois buracos. Outras dirigem-se para a criança com um sorriso falso, mais fraco que as lágrimas, e beijam-lhe a testa. Algumas vão-se embora sem dizer nada, outras procuram-no para dizer que é bonito como a mãe e como o pai. Fazem-lhe carícias. Querem pedir-lhe para ter força e continuar a brincar muito, mas ele não ia perceber, apenas ia agitar a cabeça para cima e para baixo. Queria ir embora.&lt;br /&gt;— Vamos Pedro. —diz um grito modesto com medo de se fazer ouvir naquele silêncio.&lt;br /&gt;A criança levanta-se e começa a correr em direcção a quem o chamou. Estica o braço, à espera de encontrar uma mão para o guiar. Espera-o a mão da avó.&lt;br /&gt;— Vamos Pedro, vem ajudar a avó a fazer o almoço...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12654300-111817891694378902?l=faltadear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/111817891694378902/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12654300&amp;postID=111817891694378902&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111817891694378902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111817891694378902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/2005/06/luto.html' title='Luto'/><author><name>Miguel Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15195866276857895681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300.post-111745126521276238</id><published>2005-05-30T12:07:00.000+01:00</published><updated>2005-05-30T12:08:17.366+01:00</updated><title type='text'>Janela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordo. Faço mais um risco na parede. Já só faltam vinte dias para sair daqui. Já não aguento viver aqui. Estar aqui; isto não é viver.&lt;br /&gt;Levanto-me da cama e visto o fato macaco. Vou mijar. Na sanita ainda bóia o cagalhão de ontem à noite. Não há autoclismo. Trazem um balde de água para mandar a merda para baixo. Ainda não trouxeram o de hoje. Sacudo a picha e limpo as mãos às calças. Pego no bocado de pão que me deixou o guarda e como. Bebo o copo de água. Este pequeno almoço delicioso provoca em mim sempre o mesmo efeito: fome. Tenho mais fome depois de o comer do que tinha antes. Como-o para sobreviver.&lt;br /&gt;Vou-me sentar na cama e ponho-me a contemplar a janela. Desenhei-a pouco depois de vir para aqui; sempre me fizeram muita falta as janelas. Além disso, gosto de ler. Dá sempre jeito uma janela luminosa. Nem que seja desenhada. Tive o cuidado de fazer o sol na paisagem.&lt;br /&gt;Olho as paredes. Numa escrevo os dias que faltam para sair daqui. Noutra tenho a janela. Noutra um poster de uma mulher nua que usava para me masturbar; já não me dá tesão. Olho-a. Fico indiferente à sua nudez. Já não me serves de nada, digo-lhe. Mas não a tiro dali. Faz-me companhia. Olho os dias que faltam. Levanto-me; faço mais um risco. Daqui a dezanove dias serei livre.&lt;br /&gt;Pego no livro que me trouxeram. É sobre uma mulher que trai o marido com o seu melhor amigo: puta. Bato uma e venho-me na capa do livro. Puta de merda, é isto que mereces, digo-lhe. Limpo a mão às calças. Atiro o livro para o chão. Só nos dão livros de merda.&lt;br /&gt;Levanto-me e vou até à parede. Faço dois riscos. Já só faltam dezassete dias para abandonar esta merda. Olho para a parede oposto. A mulher nua continua nua. Vaca. Estou farto de ti, penso. Olho de novo para os riscos. Faço mais um. Olho de novo para a mulher nua. Estava igual. Puta de merda. A minha sorte é que daqui a dezasseis dias não vou precisar mais de olhar para a cara dela.&lt;br /&gt;Vou à janela. O sol continua lá. Mais em baixo, um bonito campo verde com uma única árvore. Olho-a. Algo me salta à vista: a árvore tem flores! Afinal já é primavera! Levanto-me eufórico. Corro para a parede e começo a fazer riscos enquanto grito, já é primavera, já é primavera! Paro. Olho os riscos. Viro-me. Olho a mulher nua. Puta de merda, amanhã sou um homem livre!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12654300-111745126521276238?l=faltadear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/111745126521276238/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12654300&amp;postID=111745126521276238&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111745126521276238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111745126521276238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/2005/05/janela.html' title='Janela'/><author><name>Augusto E. Nunes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11076210584474851122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300.post-111678502961743799</id><published>2005-05-22T18:51:00.000+01:00</published><updated>2005-05-22T19:20:36.563+01:00</updated><title type='text'>O Beco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chovia torrencialmente. Nada que fizesse Zoli acelerar o passo, embora sentisse a roupa ficar cada vez mais pesada. Gostava das ruas assim: a meia luz, com esta cor acinzentada, com este cheiro, e praticamente vazias, com meia dúzia de pessoas a correr como se tivessem pressa de chegar a algum compromisso importante.&lt;br /&gt;Gostava de olhar à sua volta e deixar-se invadir por todos os pensamentos que corriam mais rapidamente naquelas ruas vazias. Era curioso observar um sítio, totalmente artificial, feito pelo homem; como aquele pedaço de terra, preenchido com todos aqueles prédios e painéis publicitários coloridos e sem vestígios daquilo que fora um dia quando a sua presença ainda não se fazia notar, ficava tão rapidamente abandonado pelo seu criador. É sempre assim quando as coisas não correm como desejamos, pensava, é mais fácil deixá-las ao acaso e fazer de conta que não é nada connosco.&lt;br /&gt;Além disso, a cidade era isto, não mais que a solidão. Uma solidão em que todos sentem a presença de todos, em que todos se observam, se admiram e se reprimem num pensamento tão efémero como o instante em que se cruzam. Era isso que atraía Zoli na cidade molhada: a liberdade. A liberdade de poder parar no passeio sem haver explicação aparente para isso, a liberdade de poder espreitar para dentro de um caixote do lixo para ver o que a pessoa, que segundos antes se cruzara com ele, lá tinha deixado, a liberdade de ver todas as montras sem pressa e sem estar sujeito a estereótipos, a liberdade de dar um pontapé numa lata sem ser reprimido com olhares pelo seu gesto infantil.&lt;br /&gt;Na realidade, Zoli gostava de pensar que aquela chuva lhe limpava o espírito, era unicamente para isso que servia e por isso não olhava para ela como algo inútil e incomodativo, como algo do qual precisava fugir. Sentia-se poderoso naquele ambiente.&lt;br /&gt;Zoli via na chuva a chave para entrar num qualquer beco escuro sem ser observado com desprezo como se tivesse acabado de ir às putas ou comprar droga: as grutas urbanas das quais as pessoas fugiam com medo de não encontrar uma saída, pensava ele esboçando um sorriso de troça.&lt;br /&gt;E, como sempre, assim o fez. Caminhou por entre personagens estranhas no cenário urbano, enroscadas nos seus cobertores encardidos, que o espreitavam sorrateiramente, questionando-se sobre o que o traria ali. Caminhou com a naturalidade de quem faz aquele caminho todos os dias e o sente como o seu lar. Imponente, mas curioso. Deixou para trás esses olhares de bêbados barbudos, o lixo empilhado, portas que escondiam o desconhecido, e chegou ao fim do beco. Encostou-se ao muro que assinalava esse fim e olhou para trás, orgulhoso do seu percurso, como se tivesse terminado uma longa viagem.&lt;br /&gt;Olhou para cima, ao longo das paredes, questionando-se sobre o porquê de ali não haverem janelas, com vasos floridos nos seus parapeitos e cordas para estender a roupa. As poucas janelas que existiam pareciam mesmo ter vergonha da sua existência, seladas por densas cortinas escuras que pareciam inamovíveis.&lt;br /&gt;De repente, vê o seu pensamento interrompido por um gemido infantil. Zoli, permaneceu estático, procurando perceber se não seria antes o miar de um gato distorcido pela chuva. Não. O gemido repetiu-se, parecia de um bebé. Zoli dirigiu-se para o local de onde vinha o barulho: um contentor enorme, com sacos empilhados que pelo cheiro nauseabundo pareciam guardar lixo com semanas de existência.&lt;br /&gt;O gemido transformou-se num choro colérico e rapidamente Zoli encontrou no amontoado de despojos a criança, recém-nascida. Impávido, estudava-a e aos seus movimentos que pareciam apelar para que a tirasse dali rapidamente. Pegou-a e sorriu do seu ar imaculado. A criança há muito que tinha parado de chorar e esperneava agora alegremente. Zoli questionou-se sobre a sua origem e tentou traçar uma história que a representasse. Como teria ido ali parar? Porque que a deixaram ali? Enquanto procurava essas respostas, falava com ela e brincava tentando provocar uma reacção positiva no bebé, quem sabe até se ele não lhe poderia responder.&lt;br /&gt;Olhou para o relógio, já era tarde. Está na hora, pensou.&lt;br /&gt;Olhou para a criança e olhou ao longo da rua que o tinha trazido para aquele local. A chuva não serenava. Pousou a criança no mesmo local de onde a tinha tirado, cobriu-a com um bocado de papelão que ali encontrou e, pela ultima vez, tocou com o seu dedo indicador no nariz da criança com um sorriso brincalhão ao mesmo tempo que se despedia com uma voz suave e simpática.&lt;br /&gt;Suspirou e começou a caminhar, em direcção à avenida por onde tinha entrado, com o mesmo ar imponente com que ali chegara, perdido na paisagem que admirava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12654300-111678502961743799?l=faltadear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/111678502961743799/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12654300&amp;postID=111678502961743799&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111678502961743799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111678502961743799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/2005/05/o-beco.html' title='O Beco'/><author><name>Miguel Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15195866276857895681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300.post-111636650311353775</id><published>2005-05-17T22:47:00.000+01:00</published><updated>2005-05-17T22:50:39.593+01:00</updated><title type='text'>Falta de sal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mais uma vez  eu fazia o jantar. O meu marido estava, como está sempre, na tasca da rua, a embebedar-se com os amigos, enquanto falam de futebol, gajas e todo o tipo de futilidades. Ainda bem. Dava-me tempo de fazer o jantar a seu gosto.&lt;br /&gt;Quando chegou já eu tinha a mesa posta e a comida pronta a ser servida. Ele sentou-se, cambaleante.&lt;br /&gt;— A merda do jantar vem ou não?&lt;br /&gt;Eu levei-lho sem fazer comentários. Geralmente não acertava nas frases que ele queria ouvir, portanto, mais valia não tentar. Começámos a comer. A minha filha, um pouco atormentada com o estado do pai, comia depressa e sem levantar a cabeça do prato. O meu marido comia lentamente, mastigando de boca aberta, deixando cair pedaços de comida para cima da camisa.&lt;br /&gt;Então, sem que nada o fizesse prever, deixou cair os talheres com estrondo no prato.&lt;br /&gt;— Esta merda não tem sal porquê?&lt;br /&gt;— Eu pus sal, querido. Mas sabes que não podes abusar. O médico já te avisou.&lt;br /&gt;Ele levantou-se, muito calmamente, como sempre fazia e dirigiu-se a mim. Eu percebi imediatamente o que se ia passar: deixei-me ficar, sentada, direita, mãos sobre o colo, como boa esposa que sou, à espera da bofetada que ele já preparava.&lt;br /&gt;Embateu com força na minha face e caí no chão. Ele pegou no meu prato e atirou à parede, onde se estilhaçou em pedaços, deixando um caldo acastanhado a escorrer até ao chão.&lt;br /&gt;— Isto não é comida, não é nada! Prefiro comer merda. Se voltas a fazer um jantar assim corto-te as mãos. Que não te servem para nada se nem um jantar decente para o teu marido sabes fazer.&lt;br /&gt;E saiu. Foi comer qualquer coisa ao café. Eu levantei-me, ainda atordoada da forte bofetada, e fui buscar a vassoura e o esfregão para limpar tudo aquilo. Tinha que ter tudo impecável antes de ele voltar. Enquanto limpava ia pedindo em voz baixa o perdão de Deus, que havia de ter clemência de uma pobre mulher que apenas se enganou na quantidade de sal. Deus, na sua infinita misericórdia, havia de me perdoar. Se não, era porque eu certamente não o merecia. Se nem um jantar sei fazer.&lt;br /&gt;A minha filha observava-me revoltada. Odiava-me mais a mim do que ao pai. Mas pelas razões erradas. Odiava-me por me subjugar assim à vontade do meu marido. Não percebia que me devia odiar por não saber fazer um jantar. Não conseguir ser uma boa esposa. Olhei-a.&lt;br /&gt;— Deus te perdoe, minha filha, que não sabes o que é o amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12654300-111636650311353775?l=faltadear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/111636650311353775/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12654300&amp;postID=111636650311353775&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111636650311353775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111636650311353775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/2005/05/falta-de-sal.html' title='Falta de sal'/><author><name>Augusto E. Nunes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11076210584474851122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300.post-111608988491292867</id><published>2005-05-14T17:57:00.000+01:00</published><updated>2005-05-14T23:59:51.970+01:00</updated><title type='text'>Escombros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordo.&lt;br /&gt;Abro os olhos.&lt;br /&gt;Sinto a minha respiração; estou vivo. Sem erguer o corpo vejo, em meu redor, o que a visão me permite alcançar. Escombros.&lt;br /&gt;Apoio-me nos cotovelos para ver melhor.&lt;br /&gt;Nos destroços desenterro memórias de uma paisagem urbana, colorida, agora desbotada.&lt;br /&gt;Infrutiferamente tento levantar-me. Mas não sinto as pernas.&lt;br /&gt;Rastejo, na paisagem plana, em direcção a algo que sobreviveu e se ergue no meio das ruínas. Passo retratos, paredes tombadas, vestígios da gente da qual nem encontro os corpos.&lt;br /&gt;Deixo para trás este caos nascido da ordem e chego ao meu destino.&lt;br /&gt;Uma casa, sem tecto. Só as paredes, as janelas partidas para sempre abertas, as memórias que permaneceram nas paredes firmes.&lt;br /&gt;Ergo-me, auxiliado por uma cadeira intacta que ali parecia esperar por mim.&lt;br /&gt;Sento-me com as lágrimas a cobrirem-me o rosto.&lt;br /&gt;Olho mais uma vez em meu redor.&lt;br /&gt;Sucumbo às duvidas; Onde é que estou? Quem sou eu? Será que ainda sou o mesmo ou terei apenas sonhado?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12654300-111608988491292867?l=faltadear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/111608988491292867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12654300&amp;postID=111608988491292867&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111608988491292867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111608988491292867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/2005/05/escombros.html' title='Escombros'/><author><name>Miguel Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15195866276857895681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300.post-111584154699193215</id><published>2005-05-11T20:58:00.000+01:00</published><updated>2005-05-11T20:59:06.996+01:00</updated><title type='text'>Hoje vou viver</title><content type='html'>Hoje vai ser diferente. Tudo diferente. Não vou acordar com o toque irritante do despertador: vou acordar naturalmente, quando tiver que ser. Não vou tomar um duche apressado: vou tomar um banho de uma hora. Não vou fazer a barba para agradar aos superiores: vou mesmo assim, pode ser que pique. Não visto o fato, perfeitamente engomado, como me exigem: levo umas calças de ganga rotas e a t-shirt mais velha que encontrar. Não vou comer as mesmas torradas sensaboronas que como todos os dias: vou ao café e como um bolo fresco. Não me vou meter no carro e enfrentar as filas enormes: vou de metro, quando houver menos confusão. Não vou sorrir para toda a gente no emprego, só porque parece bem: vou olhá-los com desdém como sempre os olhei em segredo. Não vou ser simpático para os arrogantes que me telefonam, só porque são clientes: vou desligar-lhes o telefone na cara. Não vou ser chamado, ao fim do dia, ao gabinete do director para receber elogios: vou ser chamado para ser despedido. Hoje vai ser diferente. Hoje vou viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12654300-111584154699193215?l=faltadear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/111584154699193215/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12654300&amp;postID=111584154699193215&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111584154699193215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111584154699193215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/2005/05/hoje-vou-viver.html' title='Hoje vou viver'/><author><name>Augusto E. Nunes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11076210584474851122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300.post-111559433292056489</id><published>2005-05-09T00:12:00.000+01:00</published><updated>2005-05-09T19:29:21.873+01:00</updated><title type='text'>Nem a todos a morte bate à porta...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quem diria que um dia, a luz que preencheria o meu quarto ao amanhecer, teria atravessado primeiro aquela rua. Uma rua que em tempos não teve na minha vida mais do que um papel secundário e que não passava apenas de um cenário que me conduzia em direcção a algo que me prendia e levava para longe da vida. Se o meu dia-a-dia fosse um livro, essa rua não ocuparia nele mais que uma linha, certamente. Por essa rua deambulava eu em tempos, contrastando com a apatia, que me guiava para o destino, a merda dos pombos que pelas paredes escorria e ao chão dava cor.&lt;br /&gt;É certo que não era neste cemitério urbano de paisagem descorada que eu iria imaginar encontrar a luz do meu destino. E ainda mais piada tem ao pensar que a usei, paradoxalmente, como um caminho para um destino que vislumbrava noutra paragem e que ia construindo a minha rotina diária.&lt;br /&gt;Agora a realidade era simplesmente outra, tal como os horizontes. Aquilo que via da janela do meu quarto era bem diferente do que via pelo carreirinho que, diariamente, servia a tantas pessoas como percurso para o trabalho. Mesmo a luz chegava com outra intensidade e não era mais cinzenta, era azul.&lt;br /&gt;Não me esqueço da primeira vez que, cambaleante, embati com as mãos na porta que escondia esse segredo a que chamam amor. E da mesma forma, não posso deixar de sorrir com a perversidade humana, que apenas me mostrou o amor quando a morte me sorriu.&lt;br /&gt;Os espasmos que me sacudiam, a espuma que expulsava, e diluía o sangue que expelia, facilitando assim o seu jogo de contornar as pedras da calçada no qual jazia, e as mãos contorcidas, estáticas, foram o principal impulso para a tua reacção de aflição que, ao mesmo tempo que te mantinhas inerte, como se te deleitasses nos teus recônditos com o espectáculo decadente da miséria humana, expressavas a maior sensação de impotência revelando a alma com um ar boquiaberto.&lt;br /&gt;Na realidade, aquele meu estado não me preocupava, até porque não tinha algo melhor na minha vida com o qual pudesse fazer a comparação. A solidão era eu. Eu era a solidão, e nunca tinha conhecido mais nada para além disso. Até porque nessa solidão só existia o vazio.&lt;br /&gt;O que é certo é que naquele momento, e pela primeira vez, alguém olhou para mim com outros olhos que não os da indiferença destapando assim tudo o resto que nunca alcancei. Nem em sonhos. A sensação de ver o meu reflexo nos olhos de alguém. A sensação de sentir o vento das palavras, que me são dirigidas, chocar contra a minha face. A sensação de aconchego que um toque teu proporciona.&lt;br /&gt;E agora, aqui deitado, sobre o conforto do conforto que me deste, penso no sangue que me deixava e, que ao percorrer aquela rua, tentou continuar a vida sem mim.&lt;br /&gt;Nem a todos a morte bate à porta, mas a ti, aconteceu...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12654300-111559433292056489?l=faltadear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/111559433292056489/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12654300&amp;postID=111559433292056489&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111559433292056489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111559433292056489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/2005/05/nem-todos-morte-bate-porta.html' title='Nem a todos a morte bate à porta...'/><author><name>Miguel Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15195866276857895681</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12654300.post-111523590975040871</id><published>2005-05-04T20:44:00.000+01:00</published><updated>2005-05-09T19:32:14.083+01:00</updated><title type='text'>Dilema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje quando me dirigia a casa ao fim da tarde, fui surpreendido por um deus da morte que me tocou. Deixou-me duas opções: eu morria ou sacrificava a minha mãe em substituição.&lt;br /&gt;Pensei.&lt;br /&gt;Eu amo a minha mãe mais que qualquer outra mulher no mundo. Além disso, a minha mãe faz-me muita falta. E não só a mim, mas também ao resto da família. De modo nenhum a sacrificaria para me salvar.&lt;br /&gt;Pensei melhor.&lt;br /&gt;A minha morte causaria grande tristeza à minha mãe. Pior. Conhecendo a minha mãe como conheço, sei que lhe causaria desespero. Crises enormes, que a poderiam mesmo levar à morte.&lt;br /&gt;Apresentava-se, portanto, um dilema. Morrer e deixar a minha mãe a sofrer. Ou deixar morrer a minha mãe e ficar eu a sofrer.&lt;br /&gt;A escolha tinha que ser feita de qualquer maneira. E não poderia demorar o resto do dia a decidir. Então tomei uma decisão. Levantei a cara para o deus da morte, pronto a comunicar a minha escolha.&lt;br /&gt;Mas ele já lá não estava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12654300-111523590975040871?l=faltadear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faltadear.blogspot.com/feeds/111523590975040871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12654300&amp;postID=111523590975040871&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111523590975040871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12654300/posts/default/111523590975040871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faltadear.blogspot.com/2005/05/dilema.html' title='Dilema'/><author><name>Augusto E. Nunes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11076210584474851122</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
